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segunda-feira, 28 de março de 2016

[LAZER] Exposição ‘Diálogo no Escuro’ entra em cartaz no Rio de Janeiro




Sucesso em vários países, mostra multissensorial desafia o público a conhecer o mundo sem enxergar 

A exposição “Diálogo no Escuro”, que já passou por 39 países, está em cartaz no Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional. Trazida ao Brasil pela Calina Projetos em parceria com a Dialogue Social Enterprise, a mostra tem conceito simples: dividido em grupos pequenos em visitas previamente agendadas, o público é conduzido por cenários em total escuridão por um guia deficiente visual em passeios que duram entre 45 e 60 minutos. A experiência multissensorial rompe a barreira do desconhecido e desafia o público a conhecer o mundo de outra maneira. 

Em “Diálogo no Escuro”, a rotina diária ganha uma nova dimensão enquanto papéis são invertidos: aqueles que enxergam se encontram fora de sua zona de conforto e os guias cegos são seguros de seu lugar, indicando com segurança como devem se orientar em um mundo sem imagens. O objetivo é levar o visitante a uma mudança de perspectiva em relação ao universo dos que sofrem de alguma deficiência visual e, com isso, fazer com que o preconceito e os estereótipos sejam substituídos por empatia.

Aromas, sons, ventos, temperaturas e texturas podem ser experimentados de uma nova forma em espaços que recriam ambientes corriqueiros. No Rio de Janeiro, a exposição foi pensada exclusivamente para que a Cidade Maravilhosa possa ser sentida de outra maneira. Ela se faz presente com um pouco da vibração das ruas recriada dentro do Museu com um parque, uma feirinha, praças da cidade, um passeio pela praia e desafios como atravessar a rua, por exemplo. O diálogo acontece durante e após o passeio, quando o visitante tem a possibilidade de conversar e tirar dúvidas com seu guia sobre questões relacionadas à deficiência visual, oportunidade que nem todos têm no dia a dia.

A exposição foi desenvolvida pelo filósofo alemão Andreas Heinecke após uma experiência pessoal que mudou sua maneira de ver o mundo dos deficientes. Ele foi designado a organizar um treinamento para um jovem jornalista que perdera a visão em um acidente de carro. Ao conviver com o rapaz, se deu conta de que a pena é um sentimento equivocado e que a cegueira pode ser entendida como uma maneira diferente de levar a vida e que os que enxergam devem compreendê-la. Desde então, Andreas se dedicou a encontrar novas formas de diminuir a distância entre os dois grupos. 

Para Paulo Knauss, Diretor do Museu Histórico Nacional, Diálogo no Escuro demarca o compromisso do Museu com a questão da acessibilidade. Com frequência, o tema é reduzido a uma dimensão física e arquitetônica e evita enfrentar o fato de que garantias de acessibilidade representam também novos horizontes para exploração dos sentidos, indo além dos lugares comuns estabelecidos. “Os museus tradicionalmente se organizam a partir do sentido da visão. Diálogo no Escuro representa um novo enfoque do mundo das exposições, pois mesmo tendo sido criada para não colocar nada diante do olhar, proporciona uma experiência inusitada de compreensão do mundo para os que enxergam e coloca em discussão o universo dos sentidos humanos. Ao final, o cego como sujeito da sociedade se valoriza pelas suas qualidades singulares.”

A mostra, que segue paralelamente em São Paulo, na Unibes Cultural, já foi vista por mais de 8 milhões de pessoas e, em 25 anos, rodou o mundo tendo sido apresentada em países da Europa, Ásia, América do Norte e África. “Diálogo no Escuro” conta com patrocínio máster da Apex-Brasil e patrocínio de Camil Alimentos, Coqueiro e União, além de apoio institucional da Unibes Cultural e do Instituto Benjamim Constant. A exposição é licenciada em todo mundo pela Dialogue Social Enterprise, empresa com sede na Alemanha que atua para facilitar a inclusão social de pessoas com deficiência, desfavorecidas e idosas.

Serviço

Diálogo no Escuro

Museu Histórico Nacional

Endereço: Praça Mal. Âncora, s/n - Centro, Rio de Janeiro (entre a Praça XV e o Aeroporto Santos Dumont)

Data: de 30 de janeiro a 30 de outubro de 2016

Horário de funcionamento: 

de terça a sexta: das 10h às 17h30 (última entrada às 16h30)

sábados e domingos: das 14h às 18h (última entrada às 17h)


Valor do ingresso: R$ 12,00 inteira; R$ 20,00 aos sábados e domingos / R$ 6,00 meia entrada (estudantes e maiores de 65 anos); R$ 10,00 aos sábados e domingos

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